Para o Toni Rendeiro
Quando comecei a trabalhar no campo, no principio não tinhamos água porque não tinhamos ainda eletrecidade para puxa-la do furo. O meu Pai chorava e eu confortava-o na inguidade e ia-mos buscar água a um riacho poluido porque as fontes que eram de todos na altura estavam inquinadas no concelho.
Numa tarde junto ao riacho onde havia um velho casebre e uma pequena horta conheci um homem já idoso, disse-me que tinha orgulho em ser um homem que não sabia ler e escrever e que escusava de concordar ou não, que me dava mesmo uns estalos. Era um homem saudavelmente robusto. Depois contuamos na amena cavaqueira a falar de agricultura.
Pensei no assunto uns dias e não me saíu na alma.
A beleza duma civilização sem escrita é algo de eternamente confiante no intuito de se corromper, ou não fossem esses próprios homens os amantes de currupetelas. A beleza duma civilação livre deixa-nos sonhar. Talvez seja essa a beleza trágica dela.


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